Coragem

Coragem

O Prazer de Viver Perigosamente


De início, não existe muita diferença entre o covarde e o corajoso. A única diferença é que o covarde dá ouvidos aos seus medos e os segue, enquanto o corajoso os põe de lado e segue em frente. O corajoso enfrenta o desconhecido apesar de todos os medos.
 
Coragem não significa ausência de medo. A ausência de medo acontece se você passa a ser cada vez mais corajoso. 
Quando você explora mares desconhecidos, como Colombo fez, o medo existe, um medo intenso, porque ninguém sabe o que vai acontecer. Você está deixando a praia da segurança. Você está perfeitamente bem, em certo sentido, só uma coisa está faltando - aventura. Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação. O coração começa a pulsar novamente, volta a se sentir vivo, totalmente vivo. Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido.
Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem. Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem. A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá uma certa integridade, aguça sua inteligência. Pela primeira vez, você começa a sentir que a vida não é só um tédio, mas uma aventura. Então devagar os medos desaparecem; e aí você não pára mais de ir atrás de uma aventura.
Mas, basicamente, coragem é pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável - árdua peregrinação rumo a algum destino desconhecido. Nunca se sabe se você será capaz de fazer isso ou não. É um jogo arriscado, mas só os jogadores sabem o que é a vida.

Você não pode ser sincero se não for corajoso. Não pode ser amoroso se não for corajoso. Não pode ser confiante se não for corajoso. Não pode investigar a realidade se não for corajoso, portanto a coragem vem em primeiro lugar e tudo o mais a sucede.

 

O Caminho do Coração

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar  o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo - mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ele assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula - ela é astuta. O coração nunca calcula nada.

O que é a mente? É tudo o que você conhece. É o passado, o que está morto, o que já foi. A mente não é nada mais do que o passado acumulado, a memória. O coração é o futuro; o coração é sempre a esperança, o coração é sempre algum lugar no futuro. A cabeça pensa no passado, o coração sonha com o futuro.

TODAS AS PESSOAS DO MUNDO QUEREM SER VERDADEIRAS porque só o fato de ser verdadeiro já traz tanta alegria e tanta bem-aventurança! Então porque ser falso? Você tem que ter coragem para uma introdução mais profunda: Por que está amedrontado? O que o mundo pode fazer com você? As pessoas podem rir de você, isso fará bem a elas - rir é sempre um remédio, é saudável. As pessoas podem pensar que você é louco, isso não significa que você ficará louco.

E, se você é autêntico com relação à sua alegria, às suas lagrimas, à sua dança, mais cedo ou mais tarde haverá pessoas que começarão a entender você, que podem começar a se juntar à sua caravana.

O Caminho da Inteligência

Inteligência é vivacidade, é espontaneidade. É receptividade, é vulnerabilidade. É imparcialidade, é a coragem de viver sem conclusões. E, por que eu digo que é coragem? É coragem porque, quando você vive de acordo com uma conclusão, a conclusão protege você, a conclusão dá a você segurança, proteção. Você sabe muito bem, sabe como chegar a ela, você é muito eficiente com ela. Viver sem uma conclusão é viver na inocência. Não existe segurança, você pode errar, pode se desviar do caminho certo.

Quem está pronto para empreender a exploração chamada verdade tem que estar pronto também a cometer muitos erros, equívocos - tem que ser capaz de arriscar. Pode extraviar-se, mas é assim que chega. Perdendo-se muitas vezes é que se aprende como não se perder. Cometendo muitos erros é que se aprende o que é um erro e como não cometê-lo. Estando do que é um erro é que se chega cada vez mais perto da verdade. Trata-se de uma exploração pessoal; você não pode depender das conclusões dos outros.

O Caminho da Confiança

A CONFIANÇA É A MAIOR INTELIGÊNCIA. Por que as pessoas não confiam? Porque elas não confiam na inteligência que têm. Elas têm medo, têm medo de serem enganadas. Elas têm medo; é por isso que duvidam. A dúvida vem do medo. A dúvida vem de um tipo de insegurança com relação a própria inteligência, coragem, integridade. É preciso de um grande coração para ter confiança. Se não tem inteligência suficiente, você se protegerá por meio da dúvida.

Se você tem inteligência, está pronto para enfrentar o desconhecido porque sabe que, mesmo que todo o mundo conhecido desapareça e você se veja em meio ao desconhecido, será capaz de colonizá-lo. Será capaz de fazer uma casa ali no desconhecido. Você confia na sua inteligência mantém-se aberta, pois ela sabe: "Aconteça o que acontecer, serei capaz de enfrentar o desafio, de responder adequadamente."  A mente medíocre não tem confiança nela mesma. O conhecimento é medíocre.

Não tente entender a vida. Viva-a! Não tente entender o amor. Entregue-se ao amor. Então você saberá - e esse saber virá da sua experiência. Esse saber nunca destruirá o mistério quanto mais você sabe, mais você sabe que ainda há muito para saber.

 

A vida não é um problema. Olhar para ela como se fosse um problema é dar um passo errado. Ela é um mistério para ser vivido, amado, conhecido por meio da experiência.

 

Quando o Novo Bater à sua Porta, Abra-a!

O novo não é algo familiar. Ele tanto pode ser amigo quanto inimigo, que vai saber? E não há como saber! O único jeito é deixar que ele entre; daí a apreensão, o medo.

O novo não provém de você; a origem dele está mais além, Ele não é parte de você, Todo seu passado está em perigo. O novo não é algo contínuo, regular; por isso, o medo. Você tem vivido de uma certa forma, tem pensado de uma certa forma, tem vivido uma vida confortável de acordo com suas crenças. Então alguma coisa nova bate à sua porta. Agora o padrão de todo o seu passado vai ser perturbado. Se deixar o novo entrar, você nunca mais será o mesmo; o novo transformará você.

É arriscado. Com o novo, nunca se sabe onde você acabará. 

E você também não pode continuar rejeitando o novo, pois o velho já não lhe traz o que você procura, O velho promete, mas as promessas não trazem satisfação. O velho é conhecido, mas desagradável. Pode ser que o novo seja desconfortável, mas existe uma possibilidade - tampouco pode aceitá-lo; por isso você hesita, vacila, uma grande angústia cresce em seu ser. É natural, não há nada de errado nisso. É assim que sempre foi e que sempre será.

Tente entender a aparência do novo. Todo mundo quer ficar novo, porque ninguém está satisfeito com o velho. Ninguém nunca está satisfeito com o velho porque, seja ele o que for, você já o conhece. Uma vez conhecido, ele fica repetitivo, fica aborrecido, monótono. Você quer se livrar dele. Quer explorar, quer se aventurar. Você quer ficar novo e, mesmo assim, quando o novo bate à porta, você foge assustado, se encolhe e se esconde no velho. Esse é o dilema.

Como ficamos novos? - E todo mundo quer ficar novo. É preciso coragem, e não uma coragem comum; é preciso uma coragem extraordinária. O mundo está cheio de covardes, por isso as pessoas pararam de crescer. Como você pode crescer se é covarde? Diante de cada oportunidade, você foge assustado, fecha os olhos. Como pode crescer? Como pode ser? Você só finge ser.

 

 

Você não é uma ilha. Você pode ter esquecido o além, mas o além não esqueceu você. O filho pode ter esquecido a mãe, mas a mãe não esqueceu o filho. A parte pode ter começado a pensar, "Estou separado", mas o todo sabe que você não está separado.