Tem
havido, em todo o mundo, tentativas
de se criar uma sociedade humana
mais harmoniosa, sem sucesso.A razão
é simples: ninguém se importou em
saber porque a sociedade não é
naturalmente harmoniosa.
Ela
não é harmoniosa porque cada indivíduo
é dividido interiormente e suas
divisões são projetadas na
sociedade.
A
menos que dissolvamos as divisões
internas dos indivíduos, não
existe possibilidade de realizar
verdadeiramente a utopia de se criar
uma sociedade harmoniosa no mundo.
A
sociedade foi dividida em culturas
diferentes, religiões diferentes,
nações diferentes.
Estas
divisões mostram como os homens estão
divididos internamente. O exterior
é simplesmente o reflexo do homem
interior.
Em
vez de pensar em termos de mudança
da sociedade, deveríamos pensar
mais em mudança do indivíduo.
Essa
é a única maneira possível de
algum dia podermos ter sociedades
mais harmoniosas.
Mas
por ser o indivíduo tão
pequeno e a sociedade tão grande,
as pessoas pensam que podemos mudar
os indivíduos mudando a sociedade.
Não
vai ser assim, porque
"sociedade" é apenas uma
palavra; existem indivíduos, não
existe a sociedade.
Você
pode mudar apenas o indivíduo, por
menor que ele pareça. E a mudança
da sociedade acontecerá
naturalmente.
Osho
Como
surgiu a divisão da
Na
Antiguidade, haviam povos
com aparências distintas, pelo
fato de serem de planetas e
constelações diferentes e não
de não haver ainda um protótipo
humano definido.
Como
a Terra seria um tipo de planeta
escola, tornou-se necessário a
criação de um corpo que
abrigasse vários seres vindos de
lugares distintos
Com
a degeneração humana por
inúmeros motivos, a humanidade
foi se dividindo lentamente.
Inicialmente,
os membros da mesma raça,
passaram a viver próximos uns dos
outros, formando o que hoje
chamaríamos de vilarejos, criando
o principio das divisões. Os
humanóides se conheciam como o
pessoal da parte alta, do lado baixo,
do outro lado do rio (que era na
verdade um mar) e assim por
diante.
A
degeneração surgiu através de
uma raça que lidava com
elementais. Com o passar do tempo
surgiram as guerras e começaram a
atacar e se defender dos membros
de outras raças colocando
barreiras em suas residências ou
em seus vilarejos ou em suas
cidades e até mesmo em seus
paises. A necessidade de
liberdade sempre foi muito forte.
E todos que vieram para libertar
nações eram pessoas enviadas
para mostrar as pessoas que a
primeira coisa a se fazer era ter
coragem, e querer a liberdade.
Assim como eu digo a todos os
membros da Ordem, é necessário
se ter CORAGEM para se ter
LIBERDADE. Não adianta só dizer
que quer, é preciso ter coragem e
querer, ou querer ter coragem para
enfrentar tudo que se é necessário
fazer para conquistar a tal
Liberdade. Hoje, se observarmos a
humanidade na verdade não quer
isso, ela diz que quer mas no seu
intimo nada fazem para que haja a
mudança.
Mudando
a todo instante seus apegos e prisões
ilusórias é a única madeira de
mudar esse quadro.
Transformando
o Mundo e a Si Mesmo
Podemos
tentar abordar a colocação a
partir de muitas diferentes direções.
O mundo é apenas um nome; o indivíduo
é a realidade. Você pode continuar
tentando encontrar o mundo em toda
parte e não irá encontrá-lo; você
sempre encontrará o indivíduo.
Palavras
como o "mundo," a
"sociedade," a
"religião," a "nação,"
são meras palavras sem nenhum conteúdo
por trás delas — caixas vazias.
Exceto
você, não existe mundo.
Essa
é uma maneira de compreender a
colocação: que o indivíduo é a
única realidade. E o mundo não é
nada mais do que a coletividade de
indivíduos, então, seja lá o que
for, é uma contribuição de indivíduos.
Se for feio, você contribuiu para a
feiúra. Se estiver cheio de ódio,
inveja, raiva, ambição, cobiça,
você contribuiu para todo este
inferno no qual estamos vivendo. Você
não pode jogar a responsabilidade
em alguém mais; você tem de
aceitar a responsabilidade sobre os
seus próprios ombros.
Esta
é outra maneira de compreender a
colocação "Você é o
mundo". Estamos continuamente
passando a responsabilidade adiante.
Se existe guerra, se existe um Adolf
Hitler, um Fernando Henrique,
torna-se fácil para nós apontar
para essas pessoas e dizer que elas
são responsáveis. Mas quem as
cria?
Adolf
Hitler é nossa contribuição. Sem
nós, ele é um ninguém. Fernando
Henrique não é nada além da nossa
opinião. É o nosso voto, é o
nosso apoio.
Então,
no momento em que você condena alguém,
lembre-se: você
está condenando a si mesmo. Seja lá
o quão indireta seja a sua
contribuição, ela existe.
É
possível viver como um monge jaina
ou um monge budista ou um monge católico
num mosteiro, completamente fechado
no que concerne ao mundo. Existem
mosteiros no Tibet...havia muitos na
China antes da revolução
comunista. Existem alguns na Europa
com uma longa e estranha história.
O mosteiro em Athos, na Europa, tem
mil anos de existência. Em mil
anos, seja quem for que tenha
entrado no mosteiro, não saiu vivo.
Você apenas entra: uma vez monge,
monge para sempre. E o mosteiro não
permite que os seus ocupantes saiam
para o mundo; são trazidos para
fora apenas quando estão mortos.
Você
acha que eles não são responsáveis
por Adolf Hitler? Eles não são
responsáveis por guerras mundiais?
Aparentemente não... Como se pode
responsabilizar essas pessoas? —
que deixaram o mundo, que nunca
olharam para trás, que se
desconectaram do mundo.
Mas,
ainda assim, eu lhes digo que eles são
responsáveis. São responsáveis
por escapar — eles escaparam da
sua responsabilidade. Não faz
qualquer diferença.
Os
monges budistas, os monges jaina, os
monges hindus não participam das
atividades mundanas. Mas você pode
contribuir de uma maneira positiva
ou você pode contribuir de uma
maneira negativa.
Você
pode colocar fogo nessa casa —
essa é a maneira positiva, a
maneira ativa. Você pode ficar ao
lado, de pé, na rua e não fazer
nada para apagar o fogo — essa é
a maneira negativa. Mas ambas são
responsáveis.
A
pessoa negativa não parece tão
responsável, mas a sua
responsabilidade é absolutamente
igual — porque existe um equilíbrio
na vida.
Você
pode ser contra a guerra, pode ser
um pacifista, pode ser um
manifestante crônico — sempre com
uma bandeira protestando contra a
guerra, contra a violência.
Naturalmente, você pode dizer,
"Como posso ser
responsabilizado?" Mas a vida
é um fenômeno complexo. Os seus
protestos, o seu pacifismo, a sua
luta contra a guerra ainda é parte
da guerra; você não é um homem de
paz. E você pode observar isso
quando as pessoas protestam — a
sua raiva, a sua violência é tão
óbvia que a gente pensa por que
essas pessoas estão protestando
contra a guerra. Elas deveriam se
juntar a algum lado da guerra —
elas estão cheias de raiva, ódio.
Elas simplesmente escolheram ter um
terceiro lado atrás de um nome
bonito — "paz."
Uma
boa máscara, mas por dentro está a
mesma raiva, o mesmo ódio, a mesma
violência, a mesma destrutividade
contra qualquer pessoa que não
concorda com elas.
Elas
estão contribuindo com tanta violência
para a atmosfera quanto qualquer
outra pessoa.
Elas
podem estar falando de amor, mas estão
dizendo também que você tem de
lutar por amor.
Maomé
tinha palavras escritas na sua
espada dizendo "a paz é a
minha mensagem". Ele só pode
encontrar uma espada para escrever
"a paz é a minha
mensagem!" E ele deu origem a
uma religião que chamou de
"Islã". Islã quer dizer
paz e o Islã criou mais violência
no mundo do que qualquer outra
religião. Em nome da paz, na ponta
de uma espada, o Islã tem matado,
convertido milhões de pessoas.
Você
pode escolher bonitas palavras, mas
não pode esconder a realidade.
Talvez
você tenha se esquecido quando começou.
O mundo é grande, leva tempo. Mas
tudo volta à sua fonte — essa é
uma das regras fundamentais da vida,
não a regra de um jogo.
Então,
se estiver sofrendo, se estiver
miserável, se estiver tenso, cheio
de ansiedades, angústia, não
apenas se console dizendo que este
mundo é feio, que todos os demais são
feios, que você é uma vítima. Você
não é uma vítima, você é um
criador deste mundo insano;
naturalmente, você tem de
participar no resultado de seja lá
o que for que tenha contribuído.
Você está participando em jogar as
sementes, estará participando ao
colher a colheita também; você não
pode escapar.
Para
tornar o indivíduo ciente, de forma
que ele pare de jogar a
responsabilidade nos outros — do
contrário, ele começa a olhar para
dentro para ver de que maneira ele
está contribuindo para toda essa
loucura — existe uma possibilidade
de que ele possa parar de
contribuir. Porque ele tem de sofrer
também. Se ele vem a saber que todo
o mundo não é nada mais do que a
sua projeção numa escala maior...
Porque
milhões de indivíduos contribuíram
com a mesma raiva, a mesma
competitividade, a mesma violência,
ela se tornou gigantesca. Você não
pode conceber que tenha sido responsável
por isso: "Eu posso ter
contribuído apenas com uma pequena
parte..." Mas um oceano não é
nada mais do que milhões e milhões
de gotas. Uma gota não pode pensar
que é responsável pelo oceano —
mas a gota é responsável. Sem a
gota não haveria oceano de maneira
alguma. O oceano é apenas um nome;
a realidade está na gota.
Aceitar
a sua responsabilidade irá
transformá-lo e a sua transformação
é o começo da transformação do
mundo — porque você é o mundo.
Seja lá o quão pequeno for, um
mundo em miniatura, mas você
carrega todas as sementes.
Se
a revolução acontece em você, ela
carrega a revolução para o mundo
todo.
"Você
é o mundo" não está dizendo
apenas para você, está dizendo
para todo mundo: Você é o mundo.
Se você quiser mudar o mundo, não
comece mudando o mundo — essa é a
maneira errada que a humanidade tem
seguido até agora: Mude a
sociedade, mude a estrutura econômica.
Mude isso, mude aquilo. Mas não
mude o indivíduo.
Essa
é a razão pela qual todas as
revoluções falharam. Somente uma
revolução pode ser bem sucedida, o
que não foi tentado até agora —
e essa é a revolução do indivíduo.
Mude
você mesmo.
Esteja
alerta para não contribuir com
qualquer coisa que torne o mundo um
inferno. E lembre-se de contribuir
com alguma coisa para o mundo que o
torne um paraíso.
Esse
é todo o segredo de uma pessoa
religiosa. E se todas as pessoas
começam a fazer isso, haverá uma
revolução sem qualquer
derramamento de sangue.
Osho